O MAU HÁLITO está no ar...
...mas, felizmente, é possível despoluir a fonte dos gases fedidos. Milhões de pessoas exalam, sem saber, um odor que incomoda
as narinas alheias e não desconfiam de onde ele vem. A origem nem sempre está na boca.Que tal acabar com o problema?
Há duvidas existenciais que aparecem em meio a uma conversa, deixando temporariamente sem resposta uma incerteza da alma. Uma delas, longe de buscar um sentido à vida, contempla um temor, o de desagradar o interlocutor – mais especificamente o nariz dele. Aí, o tema da conversa se extravia e a angústia sopra em direção à boca. Mau hálito: tenho ou não tenho... eis a questão.Essa pergunta atormenta, em algum momento, a maioria dos mortais. Afinal de contas, 99,99% dos seres humanos abrigam, de vez em quando, um fedor bucal – ou halitose, como preferem os especialistas.
Mas o odor que nos acompanha depois de uma noite de sono, menos intenso e passageiro, é uma reação natural do organismo, diferente do bafo que gruda no indivíduo do momento em que ele acorda até a hora de dormir. Esse, sim, indica que algo anda errado ou em outro canto do corpo – na garganta, nos seios nasais, no intestino...
"Se, após tomar o café da manhã e escovar os dentes, o mau hálito persistir, há um possível problema", alerta a dentista Caroline Calil, pesquisadora da Universidade de São Paulo. No caso, a poluição bucal é o sintoma, muitas vezes imperceptível ao olfato do emissor, de alguma desordem.
"Cerca de 40% da população sofre de halitose crônica, que não desaparece após a higienização bucal",
estima a dentista Ana Christina Kolbe, presidente da seção baiana da Associação Brasileira de Halitose. Diga-se: existem mais de 60 origens para mau cheiro, que foi alvo de uma nova revisão de estudos na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos.
O levantamento confirma o que já se observa no consultório: mais de 90% dos episódios de halitose patológica, mau cheiro que estigmatiza seu portador, provém mesmo da boca. E, aí, a higiene inadequada não leva culpa sozinha. A causa de bafo campeã é a saburra lingual. "Trata-se de uma massa esbranquiçada, formada por células mortas, restos de alimentos e bactérias, que se acumula no dorso da língua, principalmente na parte de trás dela", descreve Caroline. "Essa camada protege os micro-organismos do oxigênio, que é nocivo a eles, permitindo que se alimentem e se reproduzam", conta Ana Christina. Sorte dos micróbios, azar do dono da boca e das narinas da vizinhança, reféns do odor de ovo podre. "As bactérias passam a liberar ali compostos gasosos à base de enxofre", explica Caroline.
O BAFO MATINAL
É raro encontrar alguém que levanta da cama com um hálito balsâmico. "O mau cheiro, nesse caso, é normal e se deve à redução da saliva durante o sono e ao jejum prolongado da madrugada", explica o dentista Maurício Duarte da Conceição, diretos da Clínica Halitus, em Campinas, no interior Paulista.
Não pense que o fedor vem do estômago. "Isso é um mito", ressalta o gastroenterologista Francisco Salfer do Amaral, do Instituto de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva de Joinville, em Santa Catarina. Em jejum, cai o estoque de glicose, o combustível das células proveniente da alimentação. Para suprir a energia necessária, são quebradas moléculas de gordura, um fenômeno que libera substâncias gasosas cheias de enxofre. "Elas caem no sangue, passam pelos pulmões, onde acorrem as trocas de gás, e, assim, são eliminadas quando expiramos", conta Ana Christina.
Sim, o fedor vem dos pulmões.A história se repete ao ficarmos horas sem comida.
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